Afinidades plásticas e filosóficas que concorrem para uma forma de entender a vida e o Universo.

 

Recolho da história da arte os elementos plásticos, as influências,  que me vão, eventualmente, permitir criar uma linguagem própria. O dadaísmo é uma delas mas, ao contrário deste, não há nos meus trabalhos uma perspectiva niilista. Não sou um revolucionário, não sou um reformador, não sou neutro. Abraço a causa mas livre de "voar", nos meus termos.

Mondrian outra clara influência no meu trabalho, afirma a abstracção como uma marca da modernidade plástica e, embora como ele, as manchas de cor que se encontram nos meus quadros estejam por vezes limitadas a um espaço restrito, eu privilegio a cor e a textura, buriladas pelo acaso, pelo imponderável. A mancha de cor sai do plano projectando-se direito ao observador. Os objectos adquirem três dimensões e soltam-se, libertam-se do jugo do painel, emancipam-se.

Schwiters dá-me os "objet trouvé" e a pulsão de os juntar na tela. A ideia de que a nobreza não está nos materiais que se utilizam para a criação de um objecto mas na alma do artista.

Marcel Duchamp paira sobre mim em cada instante.  É-me omnipresente e é sem dúvida o meu mestre. Ele revolucionou a arte, e eu pretendo humildemente aproximar-me do estatuto de um completamente, desconhecido e irrelevante,  discípulo. Assume a dessacralização do objecto artístico, questionando e armadilhando o sistema de produção e promoção da arte. Lancetou o Status Quo que ainda hoje sangra. Não afirmo uma arte não retiniana, como ele o fazia, mas confirmo aquela de que falava Malevitch que  vem de dentro, de bem fundo, das entranhas da alma.

O que faço são objectos que fundem tendências, velhinhas é certo, mas não enterradas. Não lhe façamos ainda o funeral. De resto declaro – Duchamp é imortal. Objectos que buscam a originalidade na composição. Que buscam coerência plástica formal. O que procuro  encontro-o no desperdício dos outros. A minha paleta é o espaço da urbe por onde se disseminam os objectos perdidos e rejeitados que se encontram, se confrontam e se harmonizam nos meus painéis. As cores mistura-as o tempo, o imponderável, o acaso,  essa lei que rege os destinos do Universo.

A emoção criou o Universo. 

Os meus painéis são designados por números. Fazem parte de uma obra global intitulada: "Mondrian em amena cavaqueira com Schwiters e Malevitch, sob o olhar beneplácito de Marcel Duchamp" .

                                                                                                                                                                                                                                               Rib, 2004